Talvez não seja reciproco, mas eu não dormi com a incerteza que o silêncio traz. O sorriso do oposto que refletia em meus olhos, não é mais uma refracção, que rasgava o meu coração, cortando e acelerando tudo. Agora é só lembranças do que não aconteceu de noites verdadeiras e de sonhos falsos. O momento passou, deixou subtendido que não vai se repetir, deixei claro pra não insistir. Os dois esperavam muito e pra variar, um resolveu num surto psicótico abrir um fenda nesse coração, nessa pequena abertura ela olhou, olhou... e não sabia o que fazer. Eu disse tudo, abri o jogo, não deixei dúvidas de que no amor não tem regras. Ela pensou, e pensou... mas eu não soube decifrar, ela não ligou, marcamos um lugar, ela não foi. Deduzi que ela não leu as regras e apertou no botão desligar antes mesmo do jogo começar. Peguei madeira e pregos, fechei-me novamente por dentro, mas já calejado não me abalei, porque sempre que algo não deu certo em minha vida, descobria num momento mais distante que foi para o meu bem. Somos movidos as vezes irracionalmente por motivos, eu tinha um motivo e ele se perdeu no caminho. Pegou um atalho, tentando evitar desafios. Cabe a ele encontrar o caminho de casa e descobrir um jeito de entrar, uma palavra, um olhar, um jeito novo de balançar o mundo sobre meus ombros... parte 1
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
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